Blog Leonardo Leão
Carta Aberta

O recorde que não virou dinheiro.

Carta Aberta ao Empres?rio(a).

Por Publicado em 2 min de leitura Atualizado em

Olá, empres?rio(a).

Domingo de manhã, café na mão, eu rolando o celular devagar. Caí num post de um empresário comemorando: “Fechamos o melhor mês da história da empresa.” Faturamento recorde, print do painel, foguete, festa.

Eu olhei aquilo e, em vez de alegria, senti um aperto. Porque eu já estive exatamente do outro lado dessa comemoração.

Deixa eu te contar.

Quando comecei a Brave, empres?rio(a), meu primeiro cliente grande faturava 8 milhões por ano. Pra mim, no início, aquilo parecia uma máquina perfeita. Movimento o dia inteiro, produto saindo, vendedor batendo meta, telefone tocando. Por fora, sucesso absoluto.

Aí eu sentei com os números.

E os números contavam outra história. O cara vendia muito e ganhava pouco. Comprava mal, estocava demais, vendia parcelado e pagava o fornecedor à vista. Cada venda nova, em vez de encher o caixa, abria um buraco um pouco maior. Ele corria cada vez mais rápido pra ficar no mesmo lugar. Às vezes pra ficar pra trás.

O faturamento subia. O dinheiro, não.

E aqui chegamos no ponto principal desse e-mail.

Faturamento é a parte da empresa que aparece. É o número que dá orgulho de falar no almoço, que rende post, que impressiona. Lucro é a parte que ninguém vê. E caixa é a única que paga as suas contas no fim do mês.

A verdade é essa: vender mais só resolve a sua vida se cada venda deixar dinheiro pra trás. Se a sua margem está furada, dobrar o faturamento é dobrar o problema, só que mais rápido.

Eu vejo empresário comemorar recorde de vendas com a empolgação de quem ganhou o jogo, sem olhar o placar de verdade. E o placar de verdade não é quanto entrou. É quanto sobrou.

Eu te pergunto hoje, com honestidade:

Essa semana, faz uma coisa só. Pega o seu último mês fechado. Soma tudo que vendeu. Tira o custo do que vendeu, as despesas, os impostos, tudo. O que sobrou, divide pelo que vendeu. Esse número, em porcentagem, é o que cada real de venda realmente te entrega.

Se ele te assustar, ótimo. Susto com clareza é o começo da virada. O perigoso é o recorde de faturamento que te ilude por cima enquanto a margem te sangra por baixo.

Aquele meu primeiro cliente não precisava vender mais. Precisava entender o que já vendia. Quando arrumamos a margem, a compra e o prazo, ele faturou parecido e, pela primeira vez, sobrou dinheiro de verdade. Sem foguete, sem post. Só caixa no fim do mês.

Não existe mágica, existe método. E método começa por trocar a pergunta “quanto eu vendi?” pela pergunta que importa: “quanto disso ficou comigo?”

Um forte abraço para você e uma excelente semana.

Até domingo que vem.

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Leonardo Leão

Sobre o autor

Fundador da Brave Educação

Leonardo Leão é empresário, investidor e fundador da Brave Educação, onde já ajudou mais de 5.000 empresas a transformar faturamento em caixa, lucro e capital de giro. Autor das newsletters Fórmula de Lucro (sextas, 18h) e Carta Aberta (domingos, 20h).

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